quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Traços da Cultura Brasileira


Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros...”

Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro


Vários traços são identificados por alguns estudiosos da cultura brasileira, dentre eles enfatizaremos aqueles destacados, principalmente por Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil) e por Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala). São eles:

1. Hierarquia – Influências do Sistema Escravocrata:
  • Mundo antigo: alternância entre Conquistados/ conquistadores;
  • Brasil: trabalho escravo, repressão, estratificação social e hierarquização rígida;
  • Família patriarcal: centralidade do poder; obediência servil;
    1. Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda (1936):
    • O Brasil constitui uma sociedade onde: a) O Estado é apropriado pela família;b)Os homens públicos são formados no círculo doméstico;c) Os laços familiares são transportados para o ambiente do Estado; d)O homem age mais pelo coração e tem medo de ficar sozinho.
    • Novos Tempos: Abolição/ República
  • Há na sociedade brasileira um apego muito forte ao recinto doméstico.
  • Há um grande desejo em alcançar prestígio e dinheiro sem esforço. A democracia é um mal entendido.
  • Nossa Revolução:
  • A revolução brasileira é um processo demorado.
    • Marco: abolição da escravatura
    • Brasil: país pacífico e brando
    • Com a cordialidade dificilmente chegaremos a revolução.

    1. Casa Grande e Senzala - Gilberto Freyre
  • "Casa-Grande & Senzala foi a resposta à seguinte indagação: o que é ser brasileiro? E a minha principal fonte de informação fui eu próprio, o que eu era como brasileiro, como eu respondia a certos estímulos."
  • Gilberto Freyre foi buscar nos diários dos senhores de engenho e na vida pessoal de seus próprios antepassados a história do homem brasileiro. As plantações de cana em Pernambuco eram o cenário das relações íntimas e do cruzamento das três raças: índios, africanos e portugueses.
  • "O que houve no Brasil foi a degradação das raças atrasadas pelo domínio da adiantada”. Os índios foram submetidos ao cativeiro e à prostituição. A relação entre brancos e mulheres de cor foi a de vencedores e vencidos.
  • "O ambiente em que começou a vida brasileira foi de grande intoxicação sexual. O europeu saltava em terra escorregando em índia nua. Os próprios padres da Companhia precisavam descer com cuidado, se não atolavam o pé em carne.”
  • "A grande presença índia no Brasil não foi a do macho, foi a da fêmea. Esta foi uma presença decisiva, a mulher índia tomou-se de amores pelo português, talvez até por motivos fisiológicos, porque, as sociedades ameríndias ou índias, inclusive a brasileira, eram sociedades que precisavam de festivais como que orgiásticos para provocar nos homens, nos machos, desejos sexuais. O que há de acentuar é o grande papel da índia fêmea na formação brasileira, essa índia fêmea não só através do relacionamento mencionado sexual, mas através do papel social que ela começou a desempenhar magnificamente, tornou-se uma figura capital na formação brasileira."
  • Fora de seu habitat natural, o índio não se adaptava como escravo: morria de infecções, fome e tristeza. Para suprir a deficiência da mão-de-obra escrava, os senhores de engenho de Pernambuco e do Recôncavo baiano importaram negros caçados na África. Agora, as escravas negras substituíam as cunhãs tanto na cozinha como na cama do senhor.
  • "Pôde-se juntar à superioridade técnica e de cultura dos negros sua predisposição como que biológica e psíquica para a vida nos trópicos. Sua maior fertilidade nas regiões quentes. Seu gosto pelo sol."
    1. Hierarquia Conclusão:
  • O Sistema escravocrata definiu uma relação servil entre Senhores e Escravos, e a tendência da estratificação social;
  • A família colonial forneceu a idéia da normalidade do poder, da respeitabilidade e da obediência irrestrita;
  • A família patriarcal moldou o grande modelo moral, quase inflexível, de centralização do poder e subordinação dos dominados;
  • A miscigenação mascara as diferenças, maquiando a percepção de que existem as discriminações.
  1. Personalismo
  • Ingresso tardio da Espanha e Portugal, via descobrimentos marítimos, no rol de países desenvolvidos da Europa. Sociedade desenvolvida à margem das congêneres européias;
  • Traço decisivo: o personalismo – importância particular atribuída ao valor próprio da pessoa, à autonomia de cada um em relação ao seu semelhante.
  • A verdadeira e autêntica nobreza não transcende ao indivíduo, mas depende das suas forças e capacidades, pois mais vale a eminência própria do que a herdada.
  • A tônica em “Raízes do Brasil” foi mostrar como as “sobrevivências arcaicas” do personalismo, do individualismo infenso a causas coletivas, do familismo e da mentalidade cordial eram contrárias à modernidade, que Sérgio Buarque associava à democracia.
  • O “padrinho” vale mais do que as normas.
  • Relações próximas ao poder é o caminho mais rápido ao topo;
  • Unidade baseada na relação, ultrapassando a esfera social e contaminando as esferas políticas e jurídicas;
  • Homem cordial”: Relacionamentos próximos e afetuosos. Preferimos conciliação e amizade, do que formalismo e legalismo.
  • Paradoxo: Sociedade hierarquizada, mas que busca as relações afetuosas.
  • O “patrão” oferece a relação de trabalho e, também, a de proteção, aspiração e confiança.
  • Resultado: Paternalismo – O pai (superior) ao mesmo tempo que controla o subordinado e o ordena, também agrada-o e protege-o.
  1. Malandragem
  • Em a “Ópera do Malandro”, Chico Buarque mostrou que a malandragem (ou esperteza) se espalhou pela vida nacional:
  • "Agora já não é normal/ o que dá de malandro regular profissional/ malandro com o aparato de malandro oficial/ malandro candidato a malandro federal/ malandro com retrato na coluna social/ malandro com contrato, com gravata e capital/ que nunca se dá mal".
  • De fato, a esperteza é um primeiro passo para a corrupção, que é um fenômeno pelo qual um funcionário favorece terceiros em troco de recompensa particular. O corrupto é um esperto.

    • O esperto é um egoísta.
      De maneira mais ampla, podemos dizer que o esperto é aquele que se servi de um propósito ou instituição.
    • A esperteza (“malícia, manha, astúcia, ardil, malandragem”) traz frutos mais rápidos e requer menos esforço e trabalho.
    • O expert é contra a corrupção.
      O expert é altruísta.
      O expert serve a um propósito,
      a uma instituição.
    • A expertise (“competência
      ou qualidade de especialista”)
      exige determinação, ânimo
      e resistência no longo prazo.
     
  • Características:
    • É flexível, consegue adaptar-se à várias situações;
    • É dinâmico e ativo, busca soluções criativas e inovadoras;
    • É sensível, capta o perfil das pessoas e as características da situação;
    • Sempre procura dar um jeitinho.
  1. Sensualismo
  • Catolicismo tolerante, poligamia dos mouros e moral sexual dos indígenas = Ferocidade carnal.
  • Características do culto associado à manifestações carnais: Carnaval, São João, etc.
  • No Brasil, há uma íntima relação entre a libido e os prazeres do paladar. Vulgarmente, o ato sexual é associado ao ato de comer.
  • Portanto, além de relações afetivas e próximas, tornam-se também sensuais.
  • Não pode existir pecado abaixo da Linha do Equador, face a sensualidade das negras e índias que andavam nuas ou seminuas, sensualidade essa ampliada pelas frutas, temperos e gestos ao andar.
  • "A hiperestesia sexual que vimos no correr deste ensaio ser traço peculiar ao desenvolvimento étnico da nossa terra, evitou a segregação do elemento africano, como se deu nos Estados Unidos, dominados pelos preconceitos das antipatias raciais. Aqui a luxúria e o desleixo social aproximaram e reuniram as raças."(Paulo Prado)
  • "Foram sexualidades exaltadas as dos dois povos que primeiro se encontraram nesta parte da América: o português e a mulher indígena. Contra a idéia geral de que a lubricidade maior comunicou-a ao brasileiro o africano, parece-nos que foi precisamente este, dos três elementos que se juntaram para formar o Brasil, o mais fracamente sexual; e o mais libidinoso, o português.“
  • "Por qualquer bugiganga ou caco de espelho estavam se entregando, de pernas abertas, aos "caraíbas" gulosos de mulher."
  • Os apelos sexuais no marketing são mensagens sexualmente apelativas utilizadas para sugerir ao consumidor que a aquisição e uso de determinado produto farão com que ele fique mais atraente e sensual perante os outros. (Martin Petroll,CLADEA, 2005)
  • Os apelos sexuais apresentam-se na propaganda sob diversas formas:
    a) Características físicas, que se referem à vestimenta utilizada, à atratividade geral e ao físico do modelo anunciado;
    b) Movimentos, incluídos o comportamento e a comunicação verbal e não-verbal do modelo,
    do contexto, como efeitos de câmera, som, iluminação, entre outros. Em outras palavras,
    aspectos que não advêm do modelo;
    c) Distância/interação física de modelos na propaganda;
    d) Voyeurismo, fantasias que a propaganda desperta no espectador. (Reichert; Ramirez, 2000. in PETROL;ROSSI, RAUSP,v. 1, n.2, Jul/Dez 2008)
  1. Aventureiro
  • Apesar do Brasil ser plural em suas formas e representações e o imigrante representar o trabalhador, nosso conjunto social (nossa alma) está mais para o aventureiro;
  • Lei do mínimo esforço; Apego a ociosidade; Macunaíma: “Ai que preguiça”.
  • O trabalho é para escravo. No Brasil, o trabalho manual está associado a desqualificação social;
  • Nos países protestantes o trabalho deve ser exercido por todos.
  • A aparição do contraponto holandês, principalmente no nordeste brasileiro, permite delimitar as diferenças entre o aventureiro ibérico e o trabalhador nórdico.
  • Tudo aquilo que nutre os valores do trabalhador, como a estabilidade, a paz, a segurança pessoal, o esforço sem perspectiva de proveito material imediato, permanece como que incompreensível ao aventureiro, pois advém de uma concepção temporal do mundo. Em outros termos, o aventureiro ibérico não saberia compreender, e ainda menos partilhar, o comportamento social e o comportamento econômico do trabalhador do norte.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cultura Brasileira



Roteiro de Aula: O que é cultura?
  • Sociologia - o conceito de cultura tem um sentido diferente do senso comum. Simboliza tudo o que é apreendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertença.
  • Filosofia - cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural.
  • Antropologia - “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade.”
  • Portanto, a cultura corresponde às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.
Características:
Mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com a mudança de hábitos, mais rápido do que uma possível evolução biológica.
Exemplo: Roupas para o frio.
Mecanismo cumulativo: As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.
O paradoxo (complementar) da unidade na diversidade:
  • Globalização
    • Homogeneização de produtos (bens, serviços, cultura, tecnologias e identidades) e consumidores – viés economicista;
    • Compartilhamento de culturas e conhecimentos (informática, ONU, ONGs e etc.)
  • Localismo como reação a homogeneização da globalização:
    • Valorização da historia e identidades locais para enfrentar a alienação e simultaneamente para reforçar a unicidade local na competitividade global ex: selos de Identificação de origem, valorização cultural e histórica como patrimônio coletivo e etc.
  • Cosmopolitismo: 
    • Pensamento filosófico que pretende, do ponto de vista moral, promover a justiça social global envolvendo a redistribuição da riqueza, e do ponto de vista político, favorecer um corpo governativo institucional global, que irá por sua vez assegurar a paz e a redistribuição da riqueza.
 

domingo, 14 de agosto de 2011

Expresso Saudade

Rebecca Rios:
Ande depressa, seu maquinista, suba nesse trem e vai.  
Vai, que a estrada sabe bem onde te levar. 
A madeira segue o rastro da porta sempre aberta e do del vecchio bem cuidado.
Já o ferro, cansado de ser sempre relacionado às durezas, ouviu dizer que lá há aconchego e, assim, vai, sem hesitar.
Ande depressa, seu maquinista, e pode lotar de lenha essa locomotiva. 
Lenha que dê pra aquecer o motor e o carregamento. É que a encomenda tá acostumada com o a calor do meu peito e fica coalhada em caso de friagem, ouvi dizer.
Ande depressa, seu maquinista, mas nada de sair fazendo piuí. Esse negócio de alarde desagrada o destinatário, que é todo afeito às coisas contidas. Não precisa avisar que a encomenda é carinho. 
Quando ele abrir, vai logo ver. Nessa hora, não se engane com a falta de lágrimas, nem o julgue desnaturado. Tem problemas de desidratação, coitado. Bem aprendi, e te ensino de já, que ele sabe mesmo é sorrir. 
E sorri, e sorri.

Boaz Rios:

Sempre na estação a esperar, estará quem não se acostuma com o lugar.
Lugar que não deixou de ser, mas que se esvaziou, mesmo sem querer.
Movido por um sentimento de dever, que fere e não desiste de constranger, 
Mas que guarda uma expectativa, uma esperança incontida,
De que a semente solta ao vento fecundará em outro lugar,
E de lá, por mais longe que possa estar,
Exalará perfume inigualável, que o olfato mais aguçado perceberá,
Quão distinto e agradável aroma veio ao mundo perfumar,
E no cantinho, naquele lugar, o som de um velho tocador, 
Nas cordas do companheiro Del Vecchio,
No dedilhar calmo, sereno e tranquilo,
Por fim, não conterá, lágrimas do seu rosto a rolar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Arrependimento Esperado por Deus



Arrepender-se é mais do que sentir pesar pela falta cometida. Implica em contrição e remorso naquele que, necessariamente,  apresenta sinais de  mudança de opinião e rumo. A jornada é retomada por um caminho novo, cuja tarefa se mostra difícil, porém necessária quando se quer alcançar o destino almejado. Kierkegaard entende ser um estado, um "repouso no arrependimento", ou seja, um movimento da fé firmado no amor infinito, o amor que é propriamente um encontrar-se em Deus.
Para o apóstolo Pedro o arrependimento não é só uma necessidade do ser humano, mas, sobretudo, um desejo de Deus para com todas as pessoas. Em sua longanimidade Deus não leva em conta o tempo, pois, para Ele, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. Desta forma, Ele não demora em cumprir a sua promessa, sendo paciente com todos e não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento(2 Pedro 3:8-9).
Deus espera pelo arrependimento da humanidade. Sua perseverança, não hesitante, está fundada na brandura do seu próprio caráter, como percebe o apóstolo Paulo quando diz que as riquezas da sua bondade, tolerância e paciência conduzem ao arrependimento (Romanos 2: 4). A bondade de Deus conduz ao arrependimento, sendo seu desejo salvar a todos  num ato agradável e prazeroso (I Timóteo 2: 3-4).
O arrependimento não se finda com a amargura, visto ter sido gerado pelo próprio Deus, através do seu Espírito Santo. Não é um simples remorso passageiro, mas um processo gerado pelo Espírito, pois, consciente do seu caminho errado, o ser humano permite que Deus lhe trace uma nova rota a seguir. A vitória sobre o sentimento deprimente, funesto e nocivo , resulta da certeza do acolhimento divino, visto que  o coração quebrantado e contrito Deus não despreza (Salmos 51:17).
O propósito da tristeza provocada por Deus no processo de arrependimento não é a morte, e sim, a vida.  Nada mais é do que o despertar alegre de um novo dia, trazendo consigo esperanças revigoradas que evocam do futuro a possibilidade de ser feliz,  experiência  possível de ser vivenciada no aqui e no agora. A felicidade é peculiar ao reino dos céus, e dela desfrutamos quando, passo a passo, trilhamos o caminho do arrependimento, pois felizes são os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mateus 5:3). 
Empenhar-se para consolidar esse processo demonstra não só persistência, força de vontade, mas, sobretudo, humildade autêntica. Tal qual ao homem que foi ao templo para orar e, segundo o mestre Jesus Cristo ele saiu dali justificado,pois, diferentemente do outro religioso,  não ousava levantar a cabeça, mas, em súplica insistente clamava:  "Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador"(Lucas 18:13). Como adverte  o apóstolo Pedro, o aperfeiçoamento evita os tropeços, mas somente advém mediante o esforço que cada um depreende em prol da consolidação do chamado (2 Pedro 1:10 ).
Deus não deseja que ninguém se perca. Trata-se, portanto, de uma necessidade universal, pois todas as nações reconhecerão, de uma forma ou de outra, que Jesus Cristo é o Senhor. Anunciar o arrependimento às nações é tarefa delegada à igreja, à todos que experimentaram desta graça maravilhosa, objetivando que todos possam ter acesso ao perdão proporcionado pelo Salvador (Lucas 24:47).
O tempo do arrependimento se findará, quando não mais será possível voltar e refazer a rota da caminhada. Quando os erros do passado teimarão em manter as consciências sob o peso da acusação. A santidade divina, por outro lado, satisfará toda incapacidade ou incompreensão, e a felicidade será plena naqueles cujos corações reconheceram e acolheram o grande amor de nosso Senhor Jesus Cristo.
Autor: Boaz Rios

terça-feira, 28 de junho de 2011

Somos Mais

Desespero e perplexidade invadiram o coração do discípulo de Eliseu, profeta de Deus, quando ao ver o exército inimigo cercando a cidade supôs ser a tragédia inevitável (2 Reis 6:15-17). Afinal, restaria qual alternativa para dois homens ameaçados por força de tamanha desproporcionalidade?
Assim, se apresenta o caráter fantasioso da maldade - sempre maior do que realmente é. Demonstra ter, de forma inequívoca, total domínio sobre a situação, afastando do ameaçado a possibilidade de  ensaiar qualquer reação. Molda-se um cenário no qual tudo parece estar perdido, ao sobrevir um poder absoluto e irresistível, que abate e aniquila toda sorte de esperança, o poder do mal.
O mal não integra a realidade, não faz parte dela. A realidade, contudo, é sufocada, assediada, constrangida pela maldade. Esta concepção é desvendada por João quando diz que o mundo jaz no maligno    (I João 5:19). O mundo não deixa de ser mundo, e não se transforma no mal, mas é subjugado por ele. A realidade submersa guarda características próprias do bem, porém, o mal que domina algumas de suas partes promove uma espécie de metástase, propagação maligna de todo tipo de corrupção, violência e degeneração.
A maldade, então, passa a existir a partir do próprio ser humano. Nesse contexto Jesus afirma que de dentro do coração dos homens procedem todos os maus desígnios (Marcos 7:21). De igual forma, aponta o apóstolo Tiago quando diz que ninguém é tentado por Deus, mas por sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz (Tiago 1:13-14).
Por outro lado, cabe ressaltar, que Deus é bom. Dentre os seus atributos, integrando sua própria essência, está a bondade, conforme afirma o Salmista: "Bom e justo é o Senhor; por isso mostra o caminho aos pecadores" (Salmos 25:8). Assim respondeu Jesus ao jovem rico: "Bom só existe um que é Deus" (Mateus 19:17). Não se trata de tão somente fazer o bem, mas ser inteiramente bom.
O canal utilizado por Deus para comunicar este seu atributo é o Espírito Santo. O apóstolo Paulo sustenta que a bondade, manifestada  no caráter humano, é obra do Espírito Santo, quando diz: "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade" (Gálatas 5:22).
Vencemos o mal, portanto, quando contemplamos a Deus, nos aproximamos dele e confiamos em seu poder. A resposta do profeta Eliseu ao seu discípulo foi uma oração para que Deus desvendasse os seus olhos a fim de perceber a realidade escondida por trás da maldade fantasiosa que se apresentava, e como era de se esperar, o exército de Deus mostrou-se de força infinitamente superior.
Vencemos o mal, portanto, quando compreendemos que o mal não é vencido pelo próprio mal, pois se fortalece quando utilizado, promovendo e dissipando crueldades ainda maiores. Porém, o mal é vencido pelo bem, este sim, valor absoluto, presente em Deus como atributo puro, límpido e incontaminável, capaz de vencer o mal, como afirma Paulo: "Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem" (Romanos 12:21).
Vencemos o mal, quando não desacreditamos, não vacilamos ante as cores assombrosas das circunstâncias da vida, e mantemos uma fé inspirada e confiante, mantendo a convicção de que "em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Romanos 8:37).

Autor: Boaz Rios

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Há mais Prazer em Deus

Sentir prazer é ato da alma, manifestação corpórea de satisfação interior. O prazer anuncia ter sido o desejo saciado, conduzindo a pessoa a um estado de deleite, sensação profunda de contentamento. O prazer buscado em si mesmo torna-se viciante, de satisfação fugaz, de efeito egoísta. O deleite que se origina na provocação da dor ou do mal é efêmero e angustiante, não se sacia inteiramente até o exaurimento da própria vida. Para Epicuro, nenhum prazer é em si um mal, porém certas coisas capazes de engendrar prazeres trazem consigo maior número de males que de prazeres.
O mal, habitualmente é associado ao prazer  e ao pecado. Contribui com esta percepção o pensamento defendido por Freud de que todo prazer é erótico. Já no contexto bíblico, quando se fala sobre os prazeres, há implicitamente o entendimento de tratar-se da satisfação da alma com os deleites carnais ou mundanos. No texto de I Timóteo 5, versículo 6, encontramos uma encruzilhada na qual a viúva é colocada, podendo seguir o caminho piedoso da oração e súplica, como seguir o caminho dos prazeres que levam à morte.
Deus é todo prazer. A Bíblia narra o primeiro sinal de prazer em Deus quando conclui a obra da criação e ver que tudo era muito bom. Não há como pensar em Deus, perfeito como é, agindo constrangido, coagido, ou quiçá duvidoso, receoso, ou, em última hipótese, que na sua perfeição possa ter lugar o arrependimento, ou seja, sentir  que fez algo que não deveria ter feito. Enfim, Deus, na sua perfeição, deleita-se sem constrangimento, alegra-se plenamente, tem satisfação completa e inesgotável.
O ser humano foi criado por Deus com esta capacidade de sentir prazer. Deus nos fez conforme a sua imagem e semelhança, capazes de sentir, e sujeitos às emoções. Essa relação prazerosa fica evidente nas palavras ouvidas pelos discípulos no momento do batismo de Jesus: "Este é o meu filho, em que tenho prazer". Este sentimento de satisfação alcança a todos os que se encontram com Jesus, salientando-se nas seguintes palavras do Mestre: " Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se" ( João 8:56).
Deleitar-se completamente, apropriar-se da vida abundante prometida por Jesus, é o desejo íntimo de cada ser humano. O caminho para o prazer inesgotável se desvenda à medida que as tentativas humanas se esvaem, quando as limitações e fugacidades tonam-se evidentes, então, enxerga-se a única e insuperável fonte, que jorra a água de refrigério para a qual o Bom Pastor conduz as suas ovelhas (Salmo 23), e cuja necessidade é totalmente saciada, pois quem beber desta água, jamais terá sede (João 4:14). 
Autor: Boaz Rios 

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Processo de Mudança


Roteiro de aula: Boaz Rios
Três conselhos de Maquiavel:
  • “ Não há coisa mais difícil de ser tratada, de consecução mais duvidosa, de manejo mais perigoso do que fazer-se o líder da introdução de novas regras, pois o introdutor terá como inimigo todos aqueles que tiram proveito das velhas regras, enquanto que em todos aqueles que tiram proveito das novas regras encontrará tíbios defensores”.
  • “A tibieza destes se origina, em parte, do medo dos adversários que têm as leis ao seu lado e, em parte, da incredulidade dos homens, os quais não crêem verdadeiramente nas coisas novas se delas não presenciarem uma sólida experiência.”
  • “A natureza dos povos é mutável, sendo fácil persuadi-los de uma coisa, mas difícil de mantê-los persuadidos. E assim convém estar preparado de modo que, quando não acreditarem mais, se possa fazê-los crer pela força”.
Fontes de Resistência
Resistência individual:
  • Quando ela os tornar inseguros – dúvidas quanto aos impactos e riscos da mudança; sentimento de incompetência diante do novo quadro; sentir-se diminuído diante dos colegas; sentir-se incapaz de aprender novas habilidades;
  • Quando sua posição de poder é ameaçada - redução de participação nas recompensas; diminuição na influência sobre as decisões; reduzir o seu controle sobre os recursos da organização; diminuição do prestígio e reputação pessoal;
Resistência grupal:
  • Ameaçar o poder do grupo;
  • Desrespeitar os valores e as normas aceitos;
  • Basear-se em informação considerada irrelevante;
  • Basear-se num modelo de realidade diferente do modelo considerado válido pelo grupo;
Gestão da Resistência:
  1. Construção de uma plataforma de lançamento:
  • Minimização da resistência inicial;
  • Formação de uma base de poder suficiente para dar impulso e continuidade à mudança;
  • Preparação de um plano detalhado para o processo de mudança, com a designação de responsabilidades, recursos, etapas e interações através dos quais a mudança será realizada;
  • Inclusão, no plano, de aspectos comportamentais que otimizem a aceitação e o apoio às novas estratégias e potencialidades.
2. Diagnóstico da natureza da mudança:
    • Diagnóstico preliminar de resistência:
      • A descontinuidade esperada não se repetirá no futuro?
      • A extensão da mudança e o tempo necessário para uma resposta eficaz à descontinuidade da mudança;
      • As unidades da organização afetadas pela mudança.
    • Diagnostico comportamental:
      • Qual a intensidade de perturbação política e cultural?
      • Quais os principais indivíduos que apoiarão ou resistirão e as razões de suas posições?
      • Existirá resistência grupal?
      • Qual a importância relativa de indivíduos e grupos para o êxito da mudança?
3. Criação de um clima de apoio:
  • Eliminar erros de percepção e exageros, com o esclarecimento a toda a empresa sobre a mudança e os seus benefícios;
  • Eliminar ou reduzir os temores e ansiedades sobre grupos e indivíduos;
  • Usar a informação política para construir uma base de poder favorável à mudança:
    • Proceder a mudanças na estrutura de poder que favoreça a mudança;
    • Formar uma coalizão dos que se beneficiarão com a mudança, arregimentando os defensores “tépidos”;
    • Oferecer recompensas pelo apoio à mudança;
    • Neutralizar os principais pontos de resistência potencial por meio de acordos e compensações em paralelo.
4. Inclusão de aspectos comportamentais no Plano de Mudança:
    • Na medida do possível, excluir do processo os indivíduos ou grupos que continuarão a resistir à mudança;
    • Incluir na tomada de decisão todos os indivíduos que deverão estar envolvidos na implantação da mudança;
    • Distribuir a mudança pelo espaço de tempo mais amplo possível que seja compatível com a premência dos eventos externos;
    • Se o tempo permitir, usar o enfoque de contágio:
      • Iniciar a mudança com grupos comprometidos com ela;
      • Recompensá-los e destacá-los;
      • Após seus êxitos iniciais, espalhar a mudança a outras unidades.
    • Incorporar ao Plano os programas de educação e treinamento. Não supor que as informações já são suficientes.
5. Gestão comportamental do processo:
    • Acompanhar e prever as fontes de resistência durante a mudança;
    • Arrebanhar e utilizar poder suficiente para superar a resistência;
    • Fornecer aos participantes do processo os novos conhecimentos, conceitos e habilidades de solução de problemas que sejam necessários;
    • Juntamente com os projetos estratégicos, dar início a projetos que visem à transformação da cultura e da estrutura de poder;
    • Acompanhar e controlar o desenvolvimento paralelo das novas estratégias e potencialidades.
Referências:
ANSOFF, Igor. Implantando a Administração Estratégica
MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sabores da Páscoa

Autor: Boaz Rios

Longe da doçura do chocolate, a páscoa, originalmente na cultura judaica, traz o sabor amargo das ervas, da carne cozida de carneiro acompanhada do gosto insosso do pão sem fermento. Tudo isso, para representar a libertação israelita da escravidão egípcia, tornando-se numa das festas instituídas por Deus para a celebração tradicional-religiosa daquele povo.
Ao celebrar a páscoa, Jesus convida os seus discípulos para uma ceia especial, pois seria a última vez que o faria. Naquela ocasião, parte o pão e distribui o vinho, instituindo daquele momento em diante a Eucaristia, ou seja, um sacramento que todos os cristãos participariam como testemunho do sacrifício de Jesus, sinal da libertação completa de todos os efeitos do pecado para aqueles que aceitam a sua obra redentora.
Para os discípulos, o prenúncio da morte do Mestre não proporcionou à Páscoa um sabor agradável. Nem mesmo a promessa de ressurreição afastou dos apreensivos corações a angústia, a dor e a desilusão. Estes sentimentos  ficaram evidentes em alguns momentos que sucederam a morte de Jesus, como veremos a seguir.
Ocorre uma exaltação da tragédia, percebida na narrativa dos dois discípulos no caminho de Emaús (Lucas 24, versículos de 13 a 25). Os acontecimentos do final de semana impactaram suas mentes de maneira profunda, devido a crueldade das agressões, a injustiça, enfim, o horror da crucificação de um justo. Sobre isso conversavam, tão envolvidos, que não perceberam que o próprio Jesus os acompanhava e conversava com eles. A tragédia impõe sua preferência, seja nos noticiários ou na roda de amigos, as más notícias irão preponderar.
Sobrevêm um conformismo prático, evidenciado na atitude das mulheres que vão ao túmulo para embalsamarem a Jesus (João 20:11-16). Diante do fato trágico consumado, resta fazer o que é possível, realizar a prática cotidiana e costumeira, longe de qualquer possibilidade sobrenatural. Viram a Jesus, mas não o reconheceram, confundindo-o com um jardineiro o indagaram sobre o corpo do sepultado. O conformismo prático aplica sua rotina, retoma as regras habituais e conforma-se com a realidade tragicamente insuperável.
A incredulidade supera a fé quando, para crer, evidências são exigidas. Naquele instante, os fatos adversos falaram mais alto e, com toda a sinceridade, Tomé, um dos discípulos, expõe sua condição: Só acreditaria na ressurreição se visse os sinais, e colocasse as mãos nos ferimentos de Jesus (João 20:26-28). A fé se esvai diante das circunstâncias desfavoráveis e o olhar volta-se para a ameaça premente, perdendo-se a expectativa do depois.
A páscoa, entretanto, tem sabor de alegria, celebrando a vitória da vida que supera a morte. Trata-se de um poder emanado da ressurreição de Jesus, capaz de produzir entusiasmo, esperança e vitalidade.
O entusiasmo renova a vida, promovendo a recuperação da capacidade de alegrar-se e satisfazer-se. Tal sentimento é exposto pelo apóstolo Paulo nas expressões: esquecer, avançar e prosseguir (Filipenses 3:13 e 14). A sensação original provocada pela ressurreição faz desaparecer o gosto amargo do passado deixando o paladar ávido, desejoso por experiências inusitadas.
A esperança estabelece o propósito, orientando os olhares para o futuro, para as coisas que se colocam adiante. Perante o olhar incrédulo dos discípulos de Emaús, Jesus adverte: " Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!" (Lucas 24:25). Não importava olhar para o passado, incrustar-se nos traumas das frustrações, mas fitar os olhos na palavra profética, que serenamente insiste em apontar o caminho da esperança.
A vitalidade se manifesta, demonstrando que a sequidão aparente guardava sinais de vida com capacidade rejuvenescedora, que só brota por meio da seiva de vida que flui da ressurreição de Jesus. A árvore plantada junto ao rio, diz o Salmista, no devido tempo dá o seu fruto. Eis que se rompe o ciclo da morte e se estabelece o ciclo da vida, é vida gerando vida, por isso, a celebração de Paulo: "Onde está, ó morte, a tua vitória?" (I Coríntios 15:55).

Sabores da Páscoa são sensações experimentadas pela alma, às vezes, com tamanha amargura que provoca arrepios, porém, aqueles que se apropriam da ressurreição de Jesus provam de delícias incomparáveis e eternas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Agências Reguladoras

Roteiro de Aula: Prof. Boaz Rios

·       A capacidade regulatória do Estado, intervindo quando necessário na vida econômica e social, é inerente ao próprio Estado desde o início da sua existência.
·       A redução acentuada da intervenção direta exige uma nova forma de intervenção do Estado.

Criação e atribuições das agências reguladoras no Brasil:

·       A criação das Agências de regulação foi necessário para normatizar os setores dos serviços públicos delegados, bem como buscar o equilíbrio entre o Estado, usuários e delegatários.
·       A teoria regulatória trata preferencialmente da atividade econômica, protegendo a concorrência, o interesse do Estado, e o consumidor.
·       Nas atividades regulatórias estão presentes três atores: o produtor da utilidade pública; o usuário ou consumidor do bem ou serviço; e o poder público.
·       As agências têm como objetivos: Defesa da concorrência no mercado; defesa do usuário do serviço público; manutenção do equilíbrio econômico-financeiro no mercado, evitando que os usuários sejam lesados ou negligenciados pelo prestador de serviço.

Marco Regulatório:
·       É o conjunto de regras, orientações, medidas de controle e valoração que permitem exercer controle social sobre serviços públicos, definido e administrado por órgão público específico estruturado para exercer adequadamente as medidas e ações que se fizerem necessárias ao ordenamento do mercado e à gestão do serviço público.

Características Específicas:

1.Competências regulatórias – são atribuições normativas, administrativas stricto sensu e contratuais, pelas quais o Estado, de maneira restritiva da liberdade privada ou meramente indutiva, determina, controla, ou influencia o comportamento dos particulares;
2.  Colegiado Diretor - A nomeação dos membros do seu colegiado diretor necessita de aprovação prévia do Poder Legislativo;
3.  Autonomia orgânica – seus dirigentes são nomeados por prazo determinado, vedada a exoneração sem justa causa e sem prévio contraditório;
4.  Autonomia funcional – seus atos não podem ser revistos pelo Poder Executivo, cabendo-lhe somente fixar as diretrizes gerais de políticas públicas a serem seguidas.
5. Quarentena – O ex-dirigente fica impedido para o exercício de atividades ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por um período de quatro meses, contados da exoneração ou do término do seu mandato.

Autarquias Federais:
·                     ANEEL – Agência Nacional de energia elétrica
·                     ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações
·                     ANP – Agência Nacional do Petróleo
·                     ANVISA – Agência Nacional de Vigilância sanitária
·                     ANS – Agência Nacional de Saúde suplementar
·                     ANA – Agência Nacional de águas
·                     ANTT – Agência Nac. de Transportes terrestres
·                     ANTAQ – Agência Nac. de Transp. Aquaviários
·                     ANCINE – Agência Nacional do Cinema
·                     ADENE – Agência Nacional de Desenvolvimento do Nordeste
·                     ADA – Agência Nacional de Desenv. Da Amazônia
·                     ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil

Autarquias Estaduais:

AGERBA - Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Energia, Transporte e Terminais)

AGERSA A Agência Reguladora de Saneamento Básico do Estado da Bahia – Autarquia em Regime Especial vinculada a Secretaria de Desenvolvimento Urbano – SEDUR, criada pela da Lei 12.602 de 29 de novembro de 2012.
       Finalidade: A AGERSA, que tem a competência de exercer as atividades de regulação e fiscalização dos serviços públicos de saneamento básico, mediante delegação enquanto não houver ente regulador criado pelo Município, ou agrupamento dos Municípios, por meio de cooperação ou coordenação federativa.

A função de regulação compreende o manejo de competências:
·       Normativas – atos do ente regulador que disciplina e estabelece regras para a prestação do serviço público;
·       Adjudicatórias – atos que habilitam o prestador a explorar um serviço público;
·       Fiscalizatórias – monitoramento das regras estabelecidas por normas;
·       Sancionatórias – aplicação de penalidades previstas na legislação específica, inclusive a extinção punitiva dos atos e termos editados ou dos contratos celebrados;
·       Arbitrais – dirimir conflitos entre regulados e usuários sempre que estes solicitarem ou nas hipóteses previstas na legislação específica;
·       Recomendação – subsidiar, orientar e informar a elaboração de políticas públicas pelos poderes Executivo e Legislativo, recomendando a adoção de medidas ou decisões para o setor regulado.

Referência Bibliográfica:
MATIAS-PEREIRA, JOSE. Curso de Administração Pública.Cap. 22. São Paulo:Atlas, 2001.
BAHIA.  A Agência Reguladora de Saneamento Básico do Estado da Bahia. Disponível em: http://www.agersa.ba.gov.br
BRASIL. Lei 9986/2000. Dispõe sobre a gestão de recursos humanos das Agências Reguladoras e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9986.htm




segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Desordem Aparente

Autor: Boaz Rios


Vivemos atualmente como se o tempo não fosse suficiente, em meio a  preocupações e ansiedades que, por se avolumarem, não comportam dentro da própria vida. Atividades se acumulam e se sucedem sem, contudo, gerar satisfação. Ficam impressões e sentimentos do que aparenta ser uma desordem, um desajustamento entre o pretendido e o realizado, vindo a causar  sintomas de fadiga, ansiedade, decepção e angústia.

O que está errado nisto tudo seria o tempo? Ou seria o que temos feito dele?
Para o sábio Salomão, as incompatibilidades não existem, não há desordem, pois acredita que "tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito" (Eclesiastes 3:1). Nesta frase, percebemos o verdadeiro equilíbrio entre o tempo e o propósito, não havendo desperdício nem, tão pouco, insuficiência.

Decorre, tal idéia, do conceito de perfeição existente em Deus. Havendo Deus - e creio que Ele existe, a perfeição é mais do que possível, ela é um fato. Sendo Deus perfeito, concluímos ser Ele completo, pois não haveria perfeição caso algo fora dele mesmo pudesse torná-lo melhor. A Deus, por ser completo e perfeito, não cabe a inconstância, a variação e a insegurança, que são qualidades típicas do ser humano.
Ao compreendermos Deus e a sua perfeição, percebemos ser possível que este seu atributo se manifeste na natureza, no ser humano, enfim, na vida. Podemos pensar, como o Rei Salomão, que tudo tem o seu tempo, quando vem a se manifestar na medida e na forma do  criador. Acreditando nas palavras do Mestre Jesus: "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus (Mateus 5:48).

Outro ponto que merece atenção diz respeito ao fluxo da vida. Quando entendemos que cada coisa tem o seu tempo, logo percebemos que os fatos fluem de maneira a concluir, a tornar pronta uma obra, uma história, uma vida. Coisas boas e ruins, todas, fazem parte da mesma história que no momento certo há de se completar e fazer sentido. Na caminhada, momentos parecem bons e outros maus, porém, no final haveremos de interpretar o todo, certos de que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8:28).

Por fim, sabemos que na eternidade tudo se mostra perfeito. Por enquanto, temos alguns sentimentos sobre a eternidade, porém não a compreendemos integralmente, pois somos escravos do tempo. O apóstolo Paulo disse que conhecia em parte, de forma obscura no reflexo de um espelho, porém, quando estivesse frente a frente com a eternidade, na presença de Deus tudo se desvendaria.
Desejamos estar livres das aflições e angústias da vida, mas tememos o desconhecido, vacilamos quando saltos de fé são requeridos. Deus manifesta a sua perfeição em toda a sua obra, como lá no Gênesis: "E viu Deus que tudo era bom". Contudo, somente o olhar atemporal da fé, permitirá que contemplemos no presente as  belezas eternas de Deus.