quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Os caminhos da vida

Boaz Rios

Entender a vida... como? A vida é tão surpreendente e imprevisível, que qualquer tentativa de condicionamento não passa de simples ilusão. Os olhos se voltam para trás no propósito de compreender o que passou, às vezes, encontrando significados, razões, motivações e realizações, outras vezes, percebendo frustrações, decepções e tristezas. O passado, por certo, revela-se bastante esclarecedor, porém, poucos se detêm em buscar entendê-lo.
Inegavelmente, a atenção reside nos tempos presente e futuro, o que resulta, por um lado, em muita preocupação em razão dos cuidados do dia a dia e, por outro lado, em muita ansiedade ao preocupar-se com o que poderá, ou não, acontecer. Bom seria atentar para as palavras do filósofo Heródoto: "Pensar o passado, para compreender o presente e idealizar o futuro". Ou refletir nas palavras do mestre Jesus: "Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal" (Mateus 6:34). Quanto a vida é natural que paire certa nebulosidade, ora intermitente, ora constante, não obstante, enquanto persista, obscurece o entendimento, confunde os caminhos e furta o equilíbrio. Desequilibrar-se, às vezes, é importante, e faz parte da vida, como bem afirma Soren Kierkegaard: "Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente, não ousar é perder-se".
De onde virá a luz? Sem sombras e nem dúvidas, a vida é iluminada por Deus. Ser luz é da essência do próprio Deus, logo, na ausência de Deus as trevas se manifestam, mas em sua presença as trevas não subsistem (1 João 1:5; Salmos 139:11-12). Não há acaso, tão pouco, determinismo do mal. Quando Deus é percebido e sua graça irradia luz, em qualquer circunstância e para qualquer pessoa, o caminho se torna claro e irresistível.
No caminho há perigos iminentes. No Salmo 16, versículo 1º, o salmista exclama: "Protege-me ó Deus, pois em Ti me refugio". O pedido contundente expõe necessidade, urgência e gravidade. É preciso estar atentos e vigilantes, expondo sempre os perigos ao Pai que dispensa seu cuidado aos que o buscam (Salmos 139:23-24). Buscar a Deus não configura em tentativa para solução de crises, mas, em certeza da proteção (Salmos 16:8).
No caminho há garantia de gozo, felicidade, alegria. A alegria vem de dentro, brota no interior da alma humana e se manifesta na vida. O apóstolo Paulo afirma que a alegria é fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:22). A alegria, que brota no interior da alma, se manifesta: a) Nos companheiros, irmãos de caminhada e fé (Salmo 16:3); b) Na recompensa do trabalho (Salmo 16: 5 e 6); c) Na presença e ensinamentos de Deus (Salmo 16:7-9).
Conhecer o caminho da vida, ou ser guiado no caminho eterno, é o desejo da alma humana. Acreditar que Deus tem, quer e propicia o caminho de plena felicidade é esperança. Experimentar, ainda nesta vida, física e palpável, da alegria suprema da alma somente é possível por intermédio de Jesus Cristo, pelo que diz: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6).

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